Os eclipses são fenômenos astronômicos cíclicos que ocorrem aos pares, mais de uma vez por ano, precisamente entre 4 e cinco vezes por ano.
A Lua é um astro que se move muito rapidamente no céu, devido ao fato de estar tão próximo da Terra, sendo a sua influência cíclica e transitória, pouco duradoura, mas muito intensa, afetando o fluxo bioenergético dos seres de todos os reinos terrenos. Sua influência está comprovada nos processos emocionais humanos e em animais, em todos os processos fluídos do planeta, como nas marés, em rios e nascentes; também no fluxo sanguíneo e nos fluídos corporais, na seiva dos vegetais, afetando, inclusive, o campo bioenergético do reino mineral. As fases de seu ciclo são como marcos rítmicos que deixam efeitos de nascimento, crescimento, morte e renascimento em tudo o que há no planeta, comandando um ritmo de alta e baixa, de cheio e vazio, de escuro e claro; de seu início até o retorno para o seu novo início transcorrem 28 dias, aproximadamente, assim como o ciclo de fertilidade das mulheres.
A Lunação é um ciclo natural que ocorre doze vezes ao ano, completando um Ano Lunar de 12 Luas ou de 12 Lunações. Como se trata de um ciclo lunar, com datação de 28 dias, podem ocorrer treze lunações anuais, já que o calendário anual segue um ciclo solar (com meses de 30 ou 31 dias, exceto fevereiro), com datação diferente do ciclo lunar. Esse é um dos ciclos naturais que regem a vida no planeta Terra, usado por nossos antepassados, pelas culturas tradicionais que ainda resistem, por pescadores em suas vilas e por camponeses que ainda conservam uma relação harmônica com a Natureza. O respeito e a consideração por esses ciclos naturais, sejam os ciclos da Lua ou o pulsar rítmico do Sol, são fundamentais para a conservação e para a reprodução saudável da vida planetária. A sociedade ocidental contemporânea, com visão positivista e eurocêntrica, regida por um calendário que sofreu ajustes de interesses comerciais, se afasta em algum grau das necessidades cíclicas da Natureza no planeta e desrespeita essas mesmas necessidades da Natureza na pessoa humana, servindo a interesses especulativos e opressores e atropelando os processos humanos e planetários, invisibilizando esses ciclos naturais, prejudicando a nossa consciência sobre eles e, por conseguinte, nos afastando da lógica natural que sustenta os processos biológicos, psíquicos, nos dissociando de nossa própria natureza. Mas um calendário é constituído de consensos sociais das culturas que o partilham, daí termos datas de cunho religioso e/ou culturais que permanecem alinhadas aos ciclos da natureza e da relação entre Sol, Terra e Lua, como, por exemplo, o calendário litúrgico católico, que integrou as festas culturais rurais “pagãs”, sendo ele próprio integrado a nosso calendário oficial, ocidental, graças também ao fato de que sua organização tenha sido resultado da liderança do Papa Gregório XIII. Os calendários também estão sempre em transformação ao longo da história humana, refletindo o seu caráter mutável, como a Natureza da Lua, do Sol e da Terra.

Buda nos revela a vida como impermanência, verdade de difícil assimilação para a cultura ocidental. Ainda que superficialmente, podemos observar a impermanência na vida, em todas as coisas; podemos perceber que tudo está em constante mudança, em transformação: as formas dos corpos que surgem e os que envelhecem, o crescimento de uma árvore e sua paisagem ao redor, o nascimento e a morte das estrelas, dos animais e dos humanos, assim como o ciclo do Sol pelas estações e os ciclos da Lua. Ter consciência da impermanência na vida e fluir com ela afasta-nos do sofrimento.
Um meio pelo qual podemos criar essa consciência é observando os ciclos naturais que a própria vida nos apresenta diariamente, até segundo a segundo, como um nascer do Sol ou o seu poente, como os ciclos dos equinócios (primavera/outono) e dos solstícios (verão/inverno), como a mudança das Fases da Lua. Resgatar o conhecimento e a relação com esses ciclos naturais é um caminho necessário para o (re)equilíbrio humano, para aprender a fluir harmonicamente com os princípios que regem toda a vida.
Estar atentos aos sinais e aos ciclos naturais, conhecê-los, ouvi-los e atendê-los, resgata em nós a voz da nossa própria natureza sofrida e mutilada, natureza essa que não é separada da Natureza do planeta. Temos ouvido cada vez mais a afirmativa “somos todos um”, mas o significado dessa afirmativa ainda soa misteriosa para nós, escapa-nos à compreensão. Na escrita inspirada pelo grande Cacique Seattle, publicada em 1887:
“De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado. O que fere a terra fere também os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.” 🌍🕸🌟
Voltando aos Ciclos Naturais da Lua: há uma dinâmica regida pelas Fases da Lua que pode ser percebida como instabilidade; ou, mais precisamente, há uma grande mutabilidade bioenergética regida pelos ciclos lunares e é comum se ouvir: “aquela pessoa é de Lua” ou “isso é de Lua”, para identificar que instável, volúvel. Dentro dos quatro marcos do ciclo lunar (Fases Lunares), a Lua Cheia é o ápice da expressão potencial das energias da Lua na vida terrena, quando há uma explosão de seu fluxo em todos os corpos do planeta – por exemplo, a grande alta da maré, com possíveis ressacas, ou quando as plantas possuem mais atividade vital em suas extremidades, galhos e flores, não sendo recomendada a poda para não enfraquecer a planta; do mesmo modo, é quando os humanos nos encontramos mais intensos, mais emotivos, mais agitados e extrovertidos.
Para estarmos menos sujeitos às instabilidades emocionais que a Lua pode causar, é preciso um trabalho de amadurecimento do nosso campo emocional. O autoconhecimento é uma ferramenta poderosa para nos conscientizarmos de nossos processos emocionais, que podem aparecer com mecanismos aprisionantes e infantis, bem como para estarmos cônscios de nossas necessidades emocionais, possibilitando amadurecê-las. Todos esses aspectos podem ser revelados a partir da observação do posicionamento da Lua no Mapa Natal da pessoa e de todas as suas interações com os outros pontos relevantes indicados no mapa.

Outra consideração importante para se analisar é em que lugar no Mapa Natal da pessoa as mudanças de Fase da Lua acontecem, sobretudo os picos de alta e baixa, sua fase Cheia e Nova; ou, ainda, o lugar no Mapa Natal onde ocorrem os Eclipses, pois revelam como as influências da Lua particularizam-se e atingem-na mais diretamente.
Um Eclipse Lunar intensifica ainda mais a carga energética recebida pela Lua, nos inundando com energias lunares fortíssimas. Esse transbordamento da energia lunar pode refletir em situações concretas, que já estavam tensas, fazendo-as transbordar, ou em situações inconscientes, tornando-as visíveis e passíveis de serem conhecidas. Esse movimento de transbordamento pode desencadear alguns transtornos de ansiedade, crises emocionais e psíquicas, como descrevem algumas estatísticas, indicando que em picos de Lua Cheia e de Eclipses há maior incidência de acidentes, de brigas, de internações de emergência, de suicídios e de internações psiquiátricas, em comparação com o número dos mesmos eventos nos demais períodos; quando ocorrem tais fenômenos, são consequência de perturbações pré-existentes, de fatores emocionais não saudáveis arrastados por longos anos, daí a importância da conscientização e da manutenção saudável de nossos processos emocionais. Da mesma forma, os Eclipses Solares afetam toda a vida na terra, alterando a nossa percepção acerca da realidade e, portanto, de nossa identidade.
Todo Eclipse Lunar ocorre na Lua Cheia (quando Sol e Lua estão frente a frente – em oposição) e todo Eclipse Solar ocorre na Lua Nova (quando os dois estão alinhados, juntos – em conjunção).
Essas configurações Soli-Lunares não estão isoladas no Cosmo; elas fazem parte de configurações maiores, mais lentas, mais prolongadas e que deixam marcas mais profundas em nossas vidas que merecem ser consideradas; indicam onde há maior concentração das energias cósmicas que poderão nos afetar, em nossa identidade/eu-interior (Sol) e em nossa autoimagem/eu-emocional (Lua). Os efeitos dos eclipses duram por um ano, quando chega o seu eclipse correspondente, deste modo como ocorrem vários ciclos a cada ano, estamos sempre sofrendo os efeitos dos eclipses, o importante é saber onde eles ocorrem, signos e casas do mapa astrológico que se quer estudar e compreender seus propósitos simbólicos e como se beneficiar com esses aprendizados, principalmente se ele ocorrer próximo do seu aniversário ou em ponto de destaque no seu mapa de nascimento.

Os Eclipses lunares sempre acontecem em um Eixo do Zodíaco, ou seja, envolvem dois signos opostos, como o são Áries-Libra, Touro-Escorpião, Gêmeos-Sagitário, Câncer-Capricórnio, Leão-Aquário e Virgem-Peixes. No momento desta publicação, estão mudando do Eixo Áries-Libra, para o Eixo Virgem-Peixes. A Lua guarda em seu simbolismo o feminino, o passado, a infância, o emocional; e o Sol, o masculino, o futuro, a maturidade. Assim, os Eclipses trazem uma maior interação entre esses dois mundos, trazendo uma dinâmica relacional que resulta em transformação. Neste sentido, a casa do Mapa Natal onde ocorre o Eclipse indica em que área essa necessidade de transformação pressionará o indivíduo na direção de alguma mudança importante em sua vida. No caso do Eclipse Solar do dia 29 de março de 2025, ambos os luminares, Sol e Lua, estão posicionados no mesmo signo, em Áries; ao mesmo tempo, essa concentração de energia luminosa gera uma sombra que projetar-se-á por todo o eixo, atingindo o outro, Libra. O Eclipse Solar, que sempre é de Lua Nova, irá então se completar sempre na próxima Lua Cheia, no caso de nosso exemplo, Lua cheia de Libra, em 12 de abril de 2025.
Que as águas das nossas emoções purifiquem-se, curem-se e nos banhe de bons sentimentos!
🙏🏽🌟💖
Amém
Anheté
Axé
Namastê
In Lak’ech…
Grata por estarmos juntos aqui!
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