ERUPÇÃO SOLAR QUE OCORREU NO DIA 28 DE OUTUBRO PODE AFETAR O NOSSO PLANETA NESSE FINAL DE SEMANA, INTENSIFICANDO AURORAS E INTERFERINDO EM SISTEMAS DE COMUNICAÇÃO POR SATÉLITE

Uma das mais fortes tempestades do atual ciclo climático do Sol atingiu seu pico na quinta-feira (28), levando a uma erupção solar de classe X1, um dos tipos mais poderosos. De acordo com o Centro de Previsão do Clima Espacial (SWPC), instituição norte-americana que monitora os eventos climáticos do espaço, o ápice do evento ocorreu por volta das 12h35, pelo horário de Brasília.

A explosão de partículas que está por vir poderá reforçar o surgimento de auroras e interferir em sistemas de comunicação por satélite, de acordo com o site Space.com. Essa tempestade é uma das mais fortes do atual ciclo de 11 anos de atividade solar, e foi classificada na classe X1, o tipo mais poderoso de erupção do Sol.

“A classe X denota as chamas mais intensas, enquanto o número fornece informações sobre sua força”, explica a Nasa, em comunicado. “Um X2 é duas vezes mais intenso que um X1, um X3 é três vezes mais intenso etc. Erupções classificadas como X10 ou mais fortes são consideradas incomumente intensas”

De acordo com o site Space, a explosão causou um blecaute de rádio temporário, mas forte, no lado ensolarado da Terra centrado na América do Sul. Funcionários da Nasa classificaram a erupção solar como “significativa”, acrescentando que foi capturada em vídeo em tempo real pelo Observatório Solar Dynamics da agência espacial.

Partículas carregadas de radiação resultantes da ejeção de massa coronal podem atingir a Terra entre sábado e domingo (30 e 31), relatou o SpaceWeather. Como resultado, isso pode interferir nas comunicações de rádio e satélite e sobrecarregar as auroras do Polo Norte do planeta, causando iluminação intensa (e, provavelmente, imagens deslumbrantes).

“POW! O sol acabou de lançar um poderoso sinalizador”, escreveram funcionários da Nasa no Twitter, com uma foto do Sol com o clarão.

Dados da sonda Solar and Heliospheric Observatory (SOHO), lançada para estudar o Sol em dezembro de 1995, mostraram ainda que a recente erupção foi acompanhada por uma ejeção de massa coronal (CME) que saiu da estrela a uma velocidade de mais de 2,8 milhões de quilômetros por hora.

Nessa ejeção, uma grande quantidade de plasma e parte do campo magnético foram expulsos da coroa do Sol – a atmosfera que cerca a estrela e é visível durante os eclipses solares. No caso, o acontecimento partiu da mancha solar chamada AR288, de onde foi gerada a erupção de classe X1.

Uma tsunami de plasma então atingiu o disco solar por inteiro, alcançando uma altura de 100 mil quilômetros e se movendo pela atmosfera do Sol a 700 quilômetros por hora. Assim como nas praias da Terra, o fenômeno ocorreu em “ondas” – as ondas de Moreton, isto é, levas de plasma que anunciam uma CME.

O aviso da NOAA ressalta ainda o risco para satélites orbitando o mundo. Segundo o comunicado, “aumento na porção energética do espectro de radiação solar pode indicar um risco biológico aumentado para astronautas ou passageiros e tripulação em voos de alta latitude e altitude. Além disso, as partículas energéticas podem representar um risco aumentado para todos os sistemas de satélite suscetíveis a efeitos de eventos únicos”.

A questão é que os efeitos da mancha solar AR288 ainda continuam. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), dos Estados Unidos, estima haver 60% de chance de que erupções solares mais moderadas, de classe M, ocorram entre esta sexta-feira (29) e sábado (30). Já a possibilidade de uma erupção do tipo X é de 25% nesse período.

O que é uma erupção solar

De acordo com a Nasa, as erupções solares são explosões massivas de radiação do Sol que disparam partículas carregadas de radiação para fora da estrela. Os clarões (sinalizadores) são classificados em um sistema de letras, com os de classe C relativamente fracos, os de classe M mais moderados e os de classe X como os mais fortes.

Antes da explosão solar X1, uma erupção de grau X1.6, que aconteceu em 3 de julho deste ano, foi a mais forte do atual ciclo solar. Esses ciclos (cuja nomenclatura formal é Ciclo Solar de Schwabe) ocorrem em intervalos de 11 anos, quando ocorre uma série de fenômenos no Sol. Atualmente, nossa estrelal está em seu ciclo número 25.

Essas erupções enviam partículas carregadas de radiação solar à incrível velocidade de 1,6 milhão de km/h, podendo atingir até mais nos casos de sinalizadores de maior classificação. Normalmente, levam alguns dias para chegar à Terra.

Ainda segundo a Nasa, a explosão de quinta-feira se originou de uma mancha solar chamada AR288, atualmente posicionada no centro da nossa estrela e voltada para a Terra, com base em sua localização. Essa mancha foi responsável por duas erupções solares moderadas de classe M no início do dia.

Uma outra mancha solar ativa, chamada AR2891, também disparou recentemente um sinalizador de classe M ao girar em direção ao lado do Sol voltado para a Terra, em um percurso que levará cerca de duas semanas.

EXPECTATIVA POR UM SHOW DE AURORAS BOREAIS Os observadores de auroras boreais aguardam com grande expectativa a noite de sábado para domingo na Europa e América do Norte que pode repetir o espetáculo no céu de dias atrás. A forte tempestade solar deve afastar o tradicional cinturão de auroras do polo para latitudes mais baixas. O Centro de Previsão do Tempo Espacial da NOAA prognostica chance de auroras no extremo Nordeste dos Estados Unidos, no Norte do Meio-Oeste norte-americano e no estado de Washington. Os prognosticadores da NOAA dizem que há 85% de chance de tempestades geomagnéticas neste sábado, quando a EMC deverá atingir o campo magnético da Terra. Pode ser uma tempestade forte, de categoria G3, o cientista Tony Phillips, da NASA, acredita que as auroras podem descer até locais de latitude média nos Estados Unidos como Kansas, Nebraska, Oregon e Virgínia, o que colocaria grandes cidades como New York City, Boston e Chicago na rota das Northern Lights, como são conhecidas também as auroras boreais. No Hemisfério Sul, as auroras poderão ser vistas ainda no Sul da Austrália, como na Tasmânia, e ainda em áreas meridionais da Nova Zelândia. A aurora austral vai aparecer ainda sobre as regiões antárticas e deverá ser observada a partir de bases polares de vários países no continente gelado.

Fontes:

https://metsul.com/tempestade-solar-gera-alerta-para-astronautas-e-passageiros-de-avioes/ .

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Espaco/noticia/2021/10/tempestades-solares-podem-atingir-terra-neste-fim-de-semana-entenda.html

https://olhardigital.com.br/2021/10/29/ciencia-e-espaco/erupcao-solar-ejeta-particulas-que-podem-atingir-a-terra-no-fim-de-semana/

https://www.youtube.com/watch?v=VcS8gDaJAFA

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