Série 2021 – ANO NOVO ASTROLÓGICO DE VÊNUS
Por Cristal Ribeiro
Dia 20 de março de 2021, às 6h37min, atravessamos o portal do Ano Novo Astrológico de Vênus. Como a energia venusiana se expressará diante das forças revolucionárias e combativas que estão ocupando o cenário das relações sociais e planetárias? Vejamos ao longo deste artigo.
::: …*…*…*…*…*…*…*…*…*…*
ANO DO SOL – O QUE O REINADO DA LUZ E DAS SOMBRAS NOS LEGOU
Antes de saudarmos o Ano de Vênus vamos nos despedir do Ano do Sol. Conforme anunciado em artigo anterior, o ano foi um marco na história da humanidade, nascido de um momento simbólico em que a escuridão e a violência emergidas em 2019 (tudo o que estava oculto ou desonesto passa a expressar-se “sem verniz”) se revelaram sob a luz do intenso Sol, regente do ano anterior, desse modo as sombras também se intensificaram e um processo de amadurecimento se iniciou no ciclo de regência anual. Tudo o que ainda estava imaturo em nós foi forçado a crescer devido às circunstâncias que nos cercaram e que acabaram visitando os nossos lares.
A luz nos atrai, mas também nos assusta; o mesmo acontece com a escuridão, porque luz e escuridão são faces da manifestação da vida. Em 2020 fomos convidados a compreender que não há separação entre luz e escuridão e como essas duas dimensões estão presentes em nós e no mundo; que a mesma estrela que nos ilumina e nos dá a vida é também a mãe das sombras e que é preciso aceitá-las, apreender essa naturalidade com os dois modos de expressão do Universo, pois são faces da Criação.
Com tudo iluminado, não há como fugir, se esconder do mundo, do outro ou de si mesmo. O Sol está sempre em movimento e, em minutos, o que era sombra se faz luz e vice-versa. A verdade das coisas se revelaram, a natureza das coisas pode ser vista; nossa sombra e nossa luz, nossa humanidade e desumanidade ficaram expostas e, mesmo que alguém se iluda achando ainda ser possível se esconder atrás das máscaras sociais desgastadas pela força dos ciclos, a verdadeira face vazou como o primeiro raio da manhã que invade o quarto de dormir sem pedir licença – e convida aos pássaros a cantar, por mais que as gaiolas de nossos caprichos os aprisionem.
Nesse império do Sol e da Luz, reinado das cores e das diferenciações, reinado também das sombras que refrescam e das sombras que assustam, na sabedoria dos ciclos naturais da vida, o Sol se põe, abranda e dá lugar à regência do planeta Vênus, continuando os ciclos de amadurecimento que a todos abraça.
•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•
A GENEALOGIA¹ DE VÊNUS – A NASCIDA DAS ESPUMAS DO MAR
Na mitologia greco-romana, que fundamenta a nossa cultura ocidental, a história do nascimento de Vênus diz muito sobre o significado simbólico que o planeta Vênus representa. Ela é uma deusa que os romanos chamam de Vênus e os gregos chamam de Afrodite. Como são muitas as narrativas sobre o seu nascimento, apresentamos aqui um das versões que selecionamos para este nosso estudo. Sabendo que uma história sempre evolve muitas personagens e que as histórias das personagens se sobrepõem, a nossa narrativa está dentro de uma história maior – a história do destronamento de Urano (o Céu) –, vamos à narrativa:
A véspera do nascimento de Vênus fora um dia violento. O firmamento, tingindo-se subitamente de um vermelho vítreo, enchera de espanto toda a Criação. Saturno, munido de sua foice, enfrentara o próprio pai, o Céu, num embate cruel pelo poder do Universo. Com um golpe certeiro, o jovem deus arrancara fora a genitália do pai, tornando-se o novo soberano do mundo. Um urro colossal varrera os céus, como o estrondo tremendo de um infinito trovão, quando o Céu fora atingido.
O fecundo órgão do deus deposto, caindo do alto, mergulhara nas águas profundas, próximo à ilha de Chipre. Assim, o Céu, depois de haver fecundado incessantemente a Terra – dando origem à estirpe dos deuses olímpicos –, fecundava agora, ainda que de maneira excêntrica e inesperada, o próprio Mar.
Durante toda a noite o mar revolveu-se violentamente. A espuma do mar, unida ao sangue do deus caído, subia ao alto em grandes ondas, como se lançasse ao vento os seus leves e espumosos véus. Mas quando a Noite recolheu finalmente o seu grande manto estrelado, dando lugar à Aurora, que já tingia o firmamento com seus dedos cor-de-rosa, percebeu-se que as águas daquele mar pareciam agora outras, completamente diferentes.
O borbulhar imenso das ondas anunciava que algo estava prestes a surgir.
Das margens da ilha de Chipre, algumas ninfas, reunidas, apontavam, temerosas, para um trecho agitado do mar:
— O mar está prestes a parir algo! – disse uma delas.
— Será algum monstro pavoroso? – disse outra, temerosa.
Mas nem bem o sol lançara sobre a pátina azulada do mar os seus primeiros raios, viu-se a espuma, que parecia subir das profundezas, cessar de borbulhar. Um grande silêncio pairou sobre tudo.
— Sintam este perfume delicioso! – disse uma das ninfas.
As outras, erguendo-se nas pontas dos pés, aspiraram a brisa fresca e olorosa que vinha do alto-mar. Nunca as flores daquela ilha haviam produzido um aroma tão penetrante e, ao mesmo tempo, tão discreto; tão doce e, ao mesmo tempo, tão provocantemente acre; tão natural e, ao mesmo tempo, tão sofisticado.
De repente, do espelho sereno das águas — nunca, até então, o mar tivera aquela lisura perfeita de um grande lago adormecido — começou a elevar-se o corpo de alguém.
[…]
Algumas aves marinhas surgiram, arrastando uma grande concha, a qual depositaram ao lado da deusa – sim, era uma deusa –, para que ela, como em um trono, se assentasse. Um marulhar de peixes saltitantes a cercava, enquanto golfinhos puxavam seu elegante carro aquático até as areias da praia cipriota.
Nem bem a deusa colocara os pés na ilha, e toda ela verdejou e coloriu-se como nunca antes havia sido. Por onde ela passava, brotavam do próprio solo maços aromáticos de flores multicores, os pássaros todos entoavam um concerto de vozes perfeitamente harmoniosas e os animais quedavam-se sobre a relva com as cabeças pendidas, para receber o afago daquela mão alva e sedosa.
— Quem é você, mulher mais que perfeita? – perguntou-lhe, finalmente, a ninfa que primeiro recuperara o dom da fala.
•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•
AS DIVERSAS FACES DE VÊNUS-AFRODITE
Vênus-Afrodite nascera do sêmen do Universo. Por outro lado, da substância presente nas gotas do sangue de Urano que penetraram o Mar surgiram os seus irmãos: alguns dos Gigantes, inimigos dos deuses; as três Erínias ou Fúrias (o Castigo, o Rancor e a Implacável), deusas da vingança que puniam os mortais; e as Melíades, deusas da vingança que puniam os deuses.
Vênus, a deusa do Amor, nasce do conflito familiar dos próprios deuses, nasce da reivindicação do direito do filho sobre o tirano pai que abusa da esposa e oprime os filhos. De acordo com algumas narrativas mitológicas, Urano, o deus do Universo, odiava os seus filhos e assim que estes nasciam escondia-os no seio da terra, nas profundezas da zona do Tártaro, condenando-os a viverem ali para sempre. Foi Saturno, o mais jovem deles, quem libertou seus irmãos e passou a ser o Senhor do Tempo.
Dessa reivindicação sugiram inimigos, vingança, castigo, rancor, implacabilidade e outras melíades belicosas como Ide (aquela que vê), Adrasteia (a inescapável), Amalteia (o alívio), Adamanteia (a indomável), Kinosoure (a que guarda), Helike (a espiral) e Melisse (a abelha). E ainda que a mais bela escolhida para ser a representação do Amor e para habitar o reino dos deuses, Vênus-Afrodite, seja perfeita e encantadora, cuidando de tudo o que envolva relacionamentos, ainda assim é preciso atentar para o fato de que ela pertence a uma família que nasce de uma disputa de poder e, portanto, que ela divide a mesma natureza belicosa e violenta com suas irmãs e seus irmãos.
Vênus-Afrodite é a mais bela, a mais perfeita, a mais encantadora. Com a perfeição de sua aparência utiliza do poder da sedução para iludir e atrair as pessoas para os relacionamentos amorosos e para todos os tipos de relacionamentos existentes na Natureza, e assim começa uma trama de desejo e disputa em que suas irmãs habitam e governam. Como o mar se tornou violento com os fluídos do senhor do Universo enquanto o Sol dormia, igualmente os são os relacionamentos sem a presença da Luz da consciência e, mesmo que a aurora desperte e traga o silêncio e a calma das manhãs, é nessa hora que nasce Vênus-Afrodite e a sua geração de irmãos revoltosos. Destarte, a mais bela das deusas vem em sua forma de perfeição, mas sob a aparência guarda uma natureza terrivelmente complexa que nos conduz por mares turbulentos e perigosos, tratando-se portanto de uma deusa caprichosa e traiçoeira. Todavia, os caprichos desta deusa guardam um propósito divino: afinal, ela é filha do senhor Universo (Urano).
•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•
A FACE DIVINA DA DEUSA NA ASTROLOGIA – Luz e Sombra
Vênus-Afrodite é considerada a deusa do Amor, mas ela é uma entidade muito mais complexa, sendo sensato não romantizar um aspecto da vida que já foi tão romantizado: o Amor. O Amor nasce do conflito e só o conflito pode lhe dar origem. É no seio das relações e das disputas de poder que surge dos Céus e do Oceano das infinitas possibilidades a existência do Amor em toda a sua complexidade e plenitude.
Na Astrologia, essa deusa é representada pelo planeta Vênus, que representa o impulso da atração dos opostos; ela também é a semeadora do desejo, a incentivadora dos acordos afetivos, portanto rege os relacionamentos, as parcerias e os acordos formais de todos os tipos, como as sociedades e os casamentos.
Por reger o impulso da atração, possui as ferramentas para nos envolver em suas tramas, sendo a sedução um jogo venusiano. Outra ferramenta venusiana é o hedonismo³ (a adoração ao prazer): os prazeres da carne; a gula; os prazeres sexuais; o consumismo e a acumulação, como das posses e riquezas. Desse modo, temos aqui a face enganosa da deusa; face que favorece que nos tornemos escravos de nós mesmos e vítimas de nossas próprias escolhas, seres mesquinhos incapazes do exercício do amor.
Vênus é a responsável por todas as relações humanas e pelo modo como nos relacionamos com todas as coisas. Assim, revela o processo de construção dos valores humanos herdados ou ensinados em nossa criação na infância, nas nossas formações escolares e acadêmicas ou adquiridos na vivência das experimentações que fazemos na jornada da vida. Os valores moldam os nossos afetos – vivemos, lutamos e podemos até matar por causa do que valorizamos. As nossas relações são pautadas diretamente pelo que nós valorizamos ou desvalorizamos.
Os nossos valores nos encaminham para a escadaria dos desejos e dos prazeres, que possui em seus primeiros degraus os prazeres mundanos mais primitivos, que são tão valorizados pelas sociedades humanas contemporâneas. A armadilha da sedutora energia venusiana está na face escravizadora dos desejos e dos prazeres. Mas, tendo vivido e superado os degraus iniciais, nos níveis mais elevados, encontramos os degraus dos relacionamentos que muitos temem e que outros se jogam inconsequentemente. Aqui, instintos de atração e de autopreservação irão dialogar.
São os relacionamentos o campo da troca dos afetos e dos valores, onde semeamos as graças e as desgraças do mundo; morada das contradições humanas e dos conflitos mais refinados. São os relacionamentos também o grande campo de experimentação da traição, da vingança, do rancor, da mágoa, do ódio, dos apegos, das dores emocionais e psíquicas. Entretanto, esse impulso de atração e de prazer venusiano não é apenas engano ou escravidão: essa é a condição daqueles que se deixam iludir pelo mundo das formas e das aparências. O impulso de atração dos opostos guarda um propósito universal de união, de unidade, para que o todo possa atuar e o amor nascer.
A deusa do Amor, da beleza, da estética, das artes, da fecundidade nos convida e nos provoca às trocas com o meio, às relações sociais, às relações amorosas e a todo tipo de experiência que nos converta ao estado de Amor. A escadaria que conduz ao seu palácio ou os penhascos que conduzem ao topo onde habita o amor guardam perigos e desafios de toda espécie, mas ao mesmo tempo nos conduzem para belíssimos jardins suspensos, moradas das abelhas e do mais doce mel que se pode provar, o mel do Amor. Para alcançar essa graça venusiana muitas provas são impostas como condição sem a qual não se conhece e, portanto, não se vivencia o Amor.
Nas eras primitivas a humanidade passou a se relacionar devido à necessidade de sobrevivência e de defesa do meio natural tão hostil em que habitava. Desse modo, ao longo dos ciclos históricos milenares os acordos e as necessidades relacionais foram se refinando e se complexificando. Cada época guarda os seus valores e as suas motivações para os relacionamentos. O que será que tem nos movidos para a necessidade de nos relacionarmos uns com os outros agora, em nossa época? Essa reflexão é importante para compreender o universo venusiano. Depois de encontrada talvez uma lista de motivos pelos quais necessitamos nos relacionar com as pessoas, podemos notar que, depois dos acontecimentos do marcante Ano Astrológico do Sol, uma alquimia profunda começou a ocorrer no mundo e dentro de nós, uma mudança tão descontrolada das experiências coletivas que está impactando todas as nossas relações, de modo que novas realidades e motivos para as trocas afetivas e sociais estão surgindo.
Pensando em termos de escala, seja de degraus ou de picos quase intransponíveis para a humanidade na busca do amor individual ou fraternal, coletivo ou universal, em que lugar dessa imensidão venusiana nós estamos – eu e você? Em que nível estamos escravizados aos nossos prazeres e desejos mundanos ou às nossas idealizações de perfeição e à nossa estruturação do mundo das aparências; da nossa dependência da forma, dos objetos do nosso desejo, da objetificação do nosso próprio corpo, das pessoas, da Natureza, das coisas, da vida e até mesmo da morte?
Vivemos num mundo de interesses econômicos financeirizados, em que o mercado é o grande templo e bancos e financeiras são os novos altares onde são iludidas e escravizadas as pessoas. A nossa relação valorativa da materialidade indica o quanto estamos ainda rastejando nos níveis venusianos mais baixos e imundos: valorizamos a moeda mais que o produto; valorizamos mais a posse e a acumulação do que o desfrute dos mesmos; valorizamos a beleza artificial e não nos lembramos mais de seu verdadeiro significado; mutilamos os nossos corpos para atingirem padrões estéticos escravizantes; poucos privilegiados pensam as regras e condenam os subordinados a lamberem o chão do palácio de suas vaidades; tudo é mercadoria e serve ao lucro e ao poder de opressores tiranos que condenam, com as suas existências, comunidades inteiras de vidas humanas descartáveis e desumanizadas pelo mesmo sistema sedutor que criaram, para o qual cada indivíduo se vende ou com o qual compactua.
Essa complexidade toda nasce das espumas do oceano de imaturidade das relações humanas, o que só reforça a importância de se trabalhar os planetas Vênus, Urano e Netuno em nossos Mapas Astrológicos – e, portanto, em nossas vidas. É necessário não parar e descansar nos degraus e nos penhascos de Vênus. É preciso seguir na busca dos jardins suspensos onde trabalham as abelhas e se transformam as lagartas em borboletas; seguir nos ciclos das relações onde a morte e o renascimento revelam a verdadeira face da deusa e nos brinda com o seu banquete de abundância, partilha, amorosidade e libertação.
•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•
2021 – DESAFIOS, APRENDIZADOS E CAMINHOS
Será uma ano para reaprendermos sobre valores, ética, estética, prazeres, desejos, dinheiro, poder, relacionamentos e, claro, sobre o amor. Teremos durante o ano de regência de Vênus a presença de Saturno, que lidera o Grande Ciclo; Saturno estará em Aquário junto com Júpiter. Como já escrevemos nas configurações planetárias para esse ano, será um ano muito aquariano – e Urano, pai de Vênus, é o regente de Aquário. Urano estará transitando pelo Signo de Touro, que é regido sincronicamente por Vênus. Vale lembrar que Vênus também é filha do oceano, Netuno, e que este continua transitando por seu próximo domicílio – os mares de Peixes. Percebam que todas as configurações se comunicam, se misturam e se reforçam a si mesmas, reafirmando suas naturezas, que são de três dimensões:
- Urano-Aquário – o avô, o Universo, a expansão da consciência, o encontro dos diferentes mundos, as mudanças e as revoluções históricas; o libertador de limites e fronteiras, a comunicação para além de nossos “grupinhos” e amigos, o desconstrutor, o desestruturador que nos impulsiona através do contato com seus inúmeros filhos e filhas, par a libertação espiritual. Já falamos bastante dessa natureza em outro momento. ::: …*…*…*…*…*…*…*…*…*…*
- Vênus-Touro – o feminino, a deusa, a Terra, a materialidade e a lida da vida dentro da materialidade; as privações versus a abundância, o ódio versus o amor, o apego versus o desapego, a morte versus o renascimento; a revalorização da vida, a aprendizagem do bom uso do poder, o exercício do dar e do receber e a entrega ao aprendizado do amor através de todas as nossas relações, principalmente as humanas. Explanamos bastante a energia venusiana nos tópicos acima. ::: …*…*…*…*…*…*…*…*…*…*
- Netuno-Peixes – a energia fecundadora da vida, mais identificada com o princípio feminino; a Mãe Universal, a corrente oceânica que nos submerge na ilusão e que nos conduz tempestuosamente para o assombro da verdade; as águas cósmicas, a natureza sutil e inspiradora, imaginativa. É a transcendência da ignorância humana; a dissolução de todas as ilusões e fantasias infantis que ainda nos restam; a libertação de todas as crenças filosóficas e religiosas humanas que causam divisão, diferenciação, desunião entre as coisas, os seres, a vida e a morte, o bem e o mal, o certo e o errado. É também o abandono das hierarquias, o desapego dos julgamentos e das prisões voluntárias nas quais nos acomodamos e erguemos os nossos templos, nossos altares ou nossos fetiches; a necessidade de libertação dos discursos, das falsidades, das dissimulações e malandragens maliciosas que nos escravizam uns aos outros; o enfrentamento dos nossos espelhos, a acareação de nossa ilusão e verdade, libertação anímica.
::: …*…*…*…*…*…*…*…*…*…*
Esses aspectos juntos estão compondo as forças que cruzarão as nossas vidas durante todo o ano de 2021 e que se desdobrarão nos próximos anos como uma mudança radical e profunda no modo como se organiza a vida humana no Planeta e de como se administram os recursos materiais, humanos e espirituais. O marcante ano de 2020 nos presenteou com uma desgraça que é uma pandemia, mas, numa perspectiva mais ampla, pode ser uma enorme oportunidade para mudarmos os rumos destrutivos para os quais estamos guiando as nossas vidas e as vidas dos nossos filhos e netos.
O ano de 2021 será desdobramento desse marco temporal de 2020 e trará, mais fortemente, caos, desordem, rebeldia, revolução, mudança, conflitos, discordâncias; e tudo o que tentarmos controlar escapará por entre nossos frágeis dedos. Do Universo deságua uma enxurrada cósmica de limpeza e de purificação, além de luzes fulminantes das verdades universais sobre a cegueira humana com suas verdades particulares limitadas e seus discursos de “paz e amor” desgastados pelo não exercício da coerência, pelas escolhas das condutas equivocadas, pautadas em atitudes claramente egóicas e egoístas.
•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•
A DESCOBERTA DO AMOR – O RESSUSCITAR
Já banalizamos os axiomas – “o amor liberta”, “o amor a tudo cura” etc. –, mas ao final do banquete melífero, de provarmos do favo mais doce de Vênus, poderemos criar asas como as abelhas e trabalharmos não mais por interesses de sobrevivência, de egoísmos, de vaidades, de poder, mas trabalharmos para polinizar o verdadeiro amor e a verdadeira harmonia no mundo, frutos das resoluções maduras de todas as dores e conflitos que sofremos na busca do Amor. E talvez, quem sabe, poderemos sair dos nossos casulos de medo, de mágoa, de memórias, de infantilidades e de traumas, após permitirmos que a morte alquímica do Amor nos aniquile a tal ponto que a libertação da ignorância finalmente aconteça e sejamos tão perfeitos quanto uma efêmera borboleta que beija o jardim enquanto passa.
E para completarmos e costurarmos todas essas significâncias acima apresentadas, cabe a sabedoria em forma de poema que traz a visão do filósofo, ensaísta e pintor de origem libanesa, Khalil Gibran, para tema tão venusiano, refletindo acerca das implicações sobre o prazer. A escolha do texto sobre o prazer se justifica por que ainda não compreendemos a dimensão desse degrau do palácio venusiano.
::: …*…*…*…*…*…*…*…*…*…*
Segue o trecho do livro “O Profeta”:
Então um eremita que visitava a cidade uma vez por ano avançou e disse: Fala-nos do Prazer.
E ele respondeu, dizendo:
O prazer é uma canção de liberdade, mas não é a liberdade.
É o desabrochar dos vossos desejos, mas não é os seus frutos.
É um chamamento profundo para as alturas, mas não é profundo nem alto.
É o encarcerado a ganhar asas, mas não é o espaço que o circunda.
Sim, na verdade, o prazer é uma canção de liberdade.
E bem gostaria que a cantásseis com todo o vosso coração; no entanto, não percais os vossos corações nos cânticos.
Alguma da vossa juventude procura o prazer como se isso fosse tudo, e esses são julgados e punidos.
Eu não os julgaria nem puniria.
Gostaria que empreendessem a busca.
Pois eles encontrarão prazer, mas não só.
Sete são as suas irmãs, e a mais insignificante delas é mais bela que o prazer.
Nunca ouviram a história do homem que cavava a terra para encontrar raízes e descobriu um tesouro?
E alguns de vós, mais velhos, recordam os prazeres com remorsos.
Como erros cometidos quando estavam bêbedos.
Mas o remorso só obscurece o espírito e não o castiga.
Deveriam lembrar-se dos prazeres com gratidão, tal como fariam após uma colheita no verão.
No entanto, se os conforta sentir o remorso, deixai-os confortarem-se.
E há entre vós aqueles que não são nem suficientemente jovens para empreender a busca, nem suficientemente velhos para se lembrarem; e no medo deles de procurarem e se lembrarem, conseguem afastar todos os prazeres, a menos que negligenciem o espírito.
Mas até na antecipação reside o seu prazer.
E assim também eles encontram um tesouro, embora procurem as raízes com mãos trêmulas.
Mas dizei-me, quem pode ofender o espírito?
Será que o rouxinol consegue ofender a quietude da noite ou o brilho das estrelas?
E as vossas chamas ou fumo conseguem carregar o vento?
Pensais que o espírito é um lago imóvel que podeis perturbar?
Muitas vezes ao negardes a vós mesmos o prazer, estais a ocultar o desejo nos recônditos do vosso ser.
Quem sabe que o que parece ser omitido hoje espera por amanhã?
Até o vosso corpo conhece a sua herança e as suas necessidades e não sairá desiludido.
E o vosso corpo é a harpa da vossa alma, e é a vós que compete extrair dela uma doce melodia ou sons confusos.
E no vosso coração, perguntais:
“Como distinguiremos o que é bom no prazer do que não é?”
Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis que o prazer da abelha consiste em retirar o mel da flor.
Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à abelha.
Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida.
E para a flor a abelha é mensageira de amor.
E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de prazer é uma necessidade e um êxtase.
Povo de Orfalés, olhai para os vossos prazeres como as abelhas e as flores.
•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.••*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•
NOTAS:
¹ Significados, relevantes para o artigo, do termo “genealogia” segundo o Dicionário Houaiss: exposição cronológica, geralmente em forma de diagrama, da filiação de um indivíduo ou da origem e ramificações de uma família; conjunto de antepassados segundo uma linha de filiação; em Nietzsche (1844-1900) e Foucault (1926-1984), investigação da história com o objetivo de identificar as relações de poder que deram origem a ideias, valores ou crenças.
² Trechos da narrativa mitológica do nascimento de Vênus extraído do livro “As 100 melhores histórias mitológicas – deuses, heróis, monstros e guerras da tradição greco-romana”, de A. S. Franchini e Carmen Seganfredo.
³ Hedonismo, significado encontrado no Dicionário Houaiss: doutrina que considera a busca de uma vida feliz, seja em âmbito individual seja coletivo, o princípio e fundamento dos valores morais, julgando eticamente positivas todas as ações que conduzam o homem à felicidade.
::: …*…*…*…*…*…*…*…*…*…*
✿✿(¯`·.¸ ♥ ☆ ♥ ¸.·´¯)✿✿
¨¨¨¨¨¨¨¨Feliz 2021!¨¨¨¨¨¨¨¨
Feliz Ano Novo Astrológico de Vênus! Que possamos morrer para que o amor ressuscite e nos liberte de nossa própria ruína! Que possamos ser fulminados pela luz do amor e a ele nos render, para que deixemos de ser escravos de nós mesmos e passemos a ser servos da verdade amorosa da libertação de nós mesmos. Ame e permita-se ser amado!
Grata por sua presença!
❀◕‿◕❀ __/!\__ ✾◕‿◕✾
Acompanhe!
Curta, Siga e Compartilhe a nossa página!
https://www.facebook.com/EstrelaDalvaPagina/
Quanto mais você curte e compartilha, mais o nosso trabalho cresce e melhor serviremos ao propósito de disseminar o conhecimento astrológico como instrumento para o autoconhecimento.
•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•
::: …*…*…*…*…*…*…*…*…*…*…*…*
* UNIDOS EM RESPEITO, PAZ E AMOR
– DIVERSIDADE RELIGIOSA –
•.. ¤…*…*…*…*…*…*…*…*…*…*…*
¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸¸.•*´¨`*•.¸

