Por Cristal Ribeiro
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A SOMBRA E A LUZ DE CAPRICÓRNIO
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A face luminosa e equilibrada do Sol é a abundância da vida, a consciência, a generosidade e a criação. Mas a sua face obscura se revela num ego forte e destrutivo. Um Sol enfraquecido e encoberto está desvitalizado e não tem força para gerar e doar vida e abundância.
Quando muito forte, o Sol desequilibra a terra capricorniana, como excesso de atividade que faz muita sombra e projeção, trazendo grandes problemas. Esse Sol pode manifestar-se num ego muito forte, muito autocentrado, com tendências dominadoras, autoritárias e, portanto, de grande fechamento sobre si mesmo; seu excesso faz dos capricornianos pessoas frias, distantes, obsessivas em seus objetivos, culminando em excesso de autoritarismo, chegando à tirania. Também ocorre excesso de importância de seus valores pessoais, excessiva preocupação com a carreira, em atender às expectativas da empresa, do patrão ou do sistema, vencendo todos os desafios para sentirem-se autovalorizadas e se sentirem pessoas grandes e realizadas.
A busca por sucesso a qualquer preço pode cegá-los da dimensão humana, fazendo-os atropelarem as outras pessoas para garantirem a sua própria segurança material. Possuem a ilusão de que o que é melhor para eles é melhor para as outras pessoas e, assim, acabam se impondo sem perceberem – o que demonstra o quanto, em seu isolamento, na ânsia de suas conquistas, possuem dificuldades para compreenderem as reais necessidades das outras pessoas e até as suas próprias, por estarem muito externalizados, ou seja, não conectados interiormente. Em seu excesso, desprezam o mundo dos sentimentos e as emoções mais primitivas, como se fosse possível caminhar sem lhes dar atenção; mesmo assim caminham, enganados, numa desconexão, sem perceberem que se trata de um sintoma de desequilíbrio que guarda suas consequências. Desse modo, sentem-se fortes; como são fortes, desprezam os fracos e, quando não é possível desprezá-los, os adotam, carregando-os nas costas, para que o seu senso de grandeza se estabeleça ainda mais. Podem parecer muito generosos à primeira vista, mas, quando em excesso, esse sol esconde um egoísmo disfarçado de boas intenções. Por detrás do trabalhador incansável pode haver uma pessoa extremamente ambiciosa, que luta por mero destaque e por mera posição social; luta por poder material para se auto afirmar sobre aqueles que um dia o subjugaram, o desprezaram ou o deixaram inseguro.
Quando em desequilíbrio por excesso, capricornianos tendem a ser vingativos; e seu estilo de vingança é, primeiramente, o desprezo – viram as costas, cortam relações ou se calam diante do conflito, mantendo apenas a formalidade; num segundo momento, mostram-se bem sucedidos e materialmente poderosos, estendendo a mão àquele a quem, ao longo de sua vida, desprezou, num ato de generosidade não genuína. Os signos de Terra podem ser tão rancorosos quanto os de Água e têm muita dificuldade para o perdão, por isso tendem a ignorar conflitos, a desprezar as pessoas com quem possuem diferenças e mágoas. Nas palavras de Leonardo Boff(3): “Perdoar implica a capacidade de suportar e de manter o laço da comunhão, mesmo quando o outro lado se fecha e a outra margem desaparece. É permitir que o amor flua de novo. Apostar nesta positividade significa criar, mediante o perdão, as condições para uma relação de convivência fraterna.” Um desafio para os capricornianos.
Na superfície, capricornianos podem ser pessoas muito positivas, corajosas, destemidas quando estão cumprindo suas funções sociais; mas, em suas camadas internas, podem ser movidos por tanto medo e negatividade que passam a vida inteira se precavendo, construindo o seu mundo de segurança e muros que os protegem do sofrimento que os relacionamentos íntimos podem lhes causar. Tendem a se refugiar em seus ambientes de trabalho e em suas relações profissionais ou nas relações de amizade que criam seletivamente, dentro de um grupo pré-selecionado de pessoas, do seu clube, da sua igreja, do seu grupo de estudos ou mesmo de sua classe social ou profissional. Pessoas muito fechadas nas relações, dificilmente se abrem com as outras pessoas; preferem passar por suas crises pessoais sem que as pessoas saibam de suas fraquezas. Recolhem-se um seu refúgio ou toca sempre que necessitam ou, ainda, ignoram as suas crises, mergulhando em excesso de trabalho ou tirando férias, viajando para bem longe de tudo o que lhes causa dor e conflito, olhando para fora, ainda que a raiz dos conflitos possa estar dentro de si mesmo.
Outra face de sua superficial positividade é quando se expressam como pessoas alegres e brincalhonas, piadistas natas, com uma dose de ironia; fazem sucesso no seu círculo de amizades por serem espirituosas, mas essa máscara social também é uma defesa para manterem as pessoas distraídas, para não tentarem uma maior aproximação e um maior aprofundamento da relação. Esses seus mecanismos de defesa as mantém como que joviais, disfarçando o peso e a pressão que a vida exerce sobre elas e mascarando uma seriedade que pesa e a rigidez com a qual levam a vida.
Assumem responsabilidades demais na vida, inclusive responsabilidades que não são suas, achando que são a engrenagem que movem o mundo, que sem eles tudo estará perdido; por esta forma, assumem o controle de suas vidas e de outras tantas vidas, carregando o peso de sustentar materialmente o mundo, cuidando de tudo e de todos, sem limites, sem perceber o quão sobrecarregados podem ficar. Como são muito resistentes, se acham infalíveis e se creem capazes de carregar o mundo em suas costas, controlando a sua vida e a vida das pessoas à sua volta. Como grandes líderes que são, chegam a acreditar que são espíritos salvadores dos outros e acabam atraindo em seu caminho pessoas que se encaixam como vítimas que precisam ser salvas. Nesse jogo inconsciente perigoso, não percebem que passam de salvadores a vítimas, pois acabam sendo reféns de sua saga de salvadores, em relações viciosas, nas quais os dois lados se escravizam e, portanto, das quais os dois lados necessitam ser libertados.
Em excesso, estão tão focados em seu modo, seu mundo, suas metas de longo prazo, seus valores que não conseguem enxergar que existe o Outro, com seu modo distinto, seu mundo igualmente rico, com outras metas e objetivos, caminhando por outra direção, valorizando outras dimensões do viver e fazendo outras escolhas. Tendem a tomar à frente dos outros, competindo pelos melhores lugares e posições, impondo suas decisões e atropelando ou desvalorizando a escolha das outras pessoas. Aqui, o ego está forte e os valores capricornianos estão em negação: há negação de sua natureza espiritual.
Quando o Sol em Capricórnio está enfraquecido, aparentemente há pouca sombra, mas há pouca luz também; o que existe é uma penumbra cinzenta e sem vida. Pode trazer uma falta de iniciativa para a concretização das coisas, falta de motivação para conquistar seus objetivos e para assumir responsabilidade sobre a própria existência – seja no trabalho, na família ou nas relações afetivas. A pessoa pode não valorizar a dimensão material da vida ou se sentir incapaz de suprir o próprio sustento material. Aqui, o impulso para a manifestação de seu espírito é fraco e gera muita insegurança para a ação material, para o autossustento ou para a responsabilidade. O que acaba acontecendo nesse caso é que a pessoa elege uma pessoa ativa, capaz de suprir suas necessidades materiais de maneira impositiva, dominadora e que toma toda a iniciativa e as rédeas da vida dela, deixando-a na confortável posição de se submeter, de acatar, de seguir os passos e as decisões da pessoa que ela deixou dominar as decisões e os rumos de sua vida.
Em certa medida, o Sol enfraquecido pode prolongar a sua natureza infantil, retardar seus processos de maturidade. Nesse caso, essa infantilização se observa por seu esforço para fugir das responsabilidades, em passar pela vida como se estivesse de férias, buscando satisfazer seus prazeres materiais de forma inconsequente. Tendem ainda a culpabilizar os outros pelas tarefas não feitas e cobram desses que assumam as suas responsabilidades como se, na verdade, não lhes pertencessem. Brincalhões ao extremo, não levam nada a sério e não se comprometem com nada ou com ninguém; desejam apenas seguir livres para atenderem às suas necessidades pessoais, sem assumirem as consequências de suas escolhas.
Com um Sol em Capricórnio enfraquecido, o capricorniano salta para o outro extremo: volta-se excessivamente para a dimensão interior, despojando-se dos desejos e das necessidades materiais, passando essa responsabilidade para a sua família ou cônjuge, anulando-se totalmente, valorizando mais seu mundo interno do que o mundo exterior. A vida pode girar em torno de suas necessidades existenciais não materiais, suas inquietações e crises espirituais e nelas se perderem. Aqui, há uma supervalorização dos “valores capricornianos”, que se voltam contra o mundo em favor somente do “Eu espiritual”. São pessoas sensíveis, mansas, silenciosas, observadoras, mas que se colocam sempre em segundo plano; têm dificuldades de autoafirmação e de assumirem suas necessidades concretas, atenderem o seu corpo ou as necessidades materiais das outras pessoas; estão mais atentas às necessidades anímicas e à dimensão espiritual. Para evitarem os conflitos e as competições, se escondem, se anulam, se calam e evitam tomar decisões e fazer escolhas, se apoiando em uma figura de autoridade ou na generosidade de outra pessoa, a fim de que sua sobrevivência seja garantida, sendo muito submissas, não assumindo a responsabilidade sobre a sua sobrevivência.
Quando fraco, esse Sol pode trazer excesso de melancolia, pessimismo, avareza, medo do mundo, hipersensibilidade, desapego desmedido, renúncia, reclusão e até depressão e desistência do viver. Capricórnio pode ir do extremo de luta e persistência para a total desistência. É um signo extremista e pode ir de um polo a outro com muita facilidade, como uma corda bem forte que, de extremamente usada, torna-se fraca e arrebenta. Tal extremismo só antecipa a sua ruína ou, dito de outro modo, atrasa seu desenvolvimento espiritual, levando-o a uma vida vazia e solitária.

Equilibrar o signo do Sol é vital para que a pessoa equilibre luz e sombra dentro de si, deixando de projetar no mundo as causas de seus problemas, assumindo a responsabilidade sobre a sua existência como um todo e sobre a sua felicidade. Qualquer sintoma de excesso ou de carência da dimensão capricorniana precisa ser remediado para a verdadeira realização da pessoa e para que seu desequilíbrio não cause mal para a vida das pessoas com quem convive ou para a sociedade como um todo. Indivíduos saudáveis e felizes geram uma sociedade saudável.
Capricórnio é um signo tão complexo quanto são complexas as bases de uma sociedade; difícil de descrever com poucas palavras. Essas duas tendências, a de negação e a de supervalorização dos valores e da natureza capricorniana, podem mesclar-se entre si, numa instabilidade conflituosa que busca o equilíbrio e a harmonização.
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CAPRICÓRNIO EM EQUILÍBRIO
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Capricórnio é o precursor do novo homem, do homem como resultado de todas as suas interações sociais, o homem que ultrapassou os seus limites e quis crescer. Disse Jung: “[…] esse homem sabe que tudo que está errado no mundo está dentro dele próprio, e se apenas aprender a lidar com a própria sombra terá realizado algo verdadeiro pelo mundo. Conseguirá assumir pelo menos uma parte infinitesimal dos gigantescos problemas sociais não resolvidos da nossa época. Esses problemas são extremamente difíceis porque envenenados por projeções mútuas. Como alguém enxergaria corretamente, quando nem sequer enxerga a si e a escuridão que, inconscientemente, carrega consigo em todas as suas relações?”(4)
Para equilibrar as suas tendências luminosas e sombrias, Capricórnio precisa vencer as suas resistências inconscientes para relacionar-se integralmente com tudo e com todos; faz-se necessário colocar em sua vida atividades que o(a) coloquem em contato com o seu mundo interior; atividades que o(a) ajudem a desenvolver uma comunicação respeitosa e equilibrada consigo mesmo – desenvolver a arte do autoconhecimento, a arte da relação com a terra através do cultivo, trabalhar o barro em esculturas, escaladas solitárias às montanhas, por exemplo, sempre com a perspectiva da arte maior que é o autoconhecimento, a descoberta de seus propósitos mais profundos.
A consciência das necessidades sociais materiais, a participação nos espaços políticos, nos pequenos grupos cooperativos ou de associações de bairro, nos sindicatos de sua categoria etc. são todos espaços que o favorecem a retribuir para a coletividade tudo o que tomou para si – em seu caminho individual, o enriquecem como pessoa. A boa administração dos recursos materiais comuns, a atenção e o respeito para com as necessidades da comunidade e para com os valores das outras pessoas são todos elementos fundamentais para o aprendizado do(a) capricorniano(a), para que seja a pessoa necessária e sábia que sonha ser, entregando o seu Eu para um propósito maior, o coletivo.
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O APRENDIZ DO SOL – CAPRICÓRNIO
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Para conseguir equilibrar essa polaridade de luz e sombra, o(a) capricorniano(a) precisa compreender qual é a sua real natureza, qual é a sua função dentro do todo social e qual é a sua missão de vida.
Não há outro caminho para isso senão integrar a sua sombra, conscientizando-se de que há dois movimentos agindo sobre si: o modo de ser social e o modo de ser espírito. Comprometer-se com os processos civilizatórios, com suas regulações, suas generalizações e seus padrões universalizados em círculos viciosos de dominação uns sobre os outros, buscando soluções paliativas para o caos social, distancia a pessoa humana da ação do seu próprio espírito, a distancia de um modo de ser e operar mais íntegro e integrador.
O desafio capricorniano não é pequeno. Por isso, inclusive, o Espírito o dotou de um caráter ambicioso, mas ambição sem compreensão do espírito que habita em si pode ser muito destrutivo. Como a função do espírito é criar e a função desse signo é gerar abundância conforme a necessidade coletiva concreta, o desafio de Capricórnio é do tamanho de sua grandeza, o de ir além da sua sociedade ultracivilizada e mergulhar mais profundamente nas necessidades humanas não atendidas.
Pertencer a um desses dois signos (Câncer-Capricórnio), em que a polaridade da vida e a busca de equilíbrio se manifestam em toda a sua grandeza e complexidade, não é só uma graça, mas um grande desafio e uma responsabilidade para essas pessoas – que, em sua maioria, nem imaginam a grandiosidade de seus potenciais e o alcance de suas ações para a vida na terra em todas as suas dimensões.
Gestar e cuidar da vida de modo integral são tarefas muito próprias desse Eixo do Zodíaco, o Eixo 4 de Câncer-Capricórnio. A humanidade já alcançou o ápice de seus processos civilizatórios e avança em decadência. Os tempos que prometiam paz mundial, exclusão da fome, da miséria, se distanciam como sonhos de outrora; e um fator civilizatório novo é o esgotamento dos recursos naturais e a devastação ambiental, que nunca foi tão longe e já se torna irreversível. O que está tão errado? Por onde andam os capricornianos? Parece que uma nova mentalidade precisa surgir para que haja alguma esperança de um futuro digno para as futuras gerações.
Por ser um signo do elemento Terra, Capricórnio está intimamente ligado com a materialidade. Mas o que é a materialidade? Parece que algo nos escapa nesse “Quebra-cabeça sem Luz”.(5)
A matéria, antes de qualquer interferência humana, é morada para o espírito, abrigo da alma, o que se pode presenciar no partejar de uma criança quando chega ao mundo. Essa é a função primordial da materialidade: a de ser veículo para a manifestação das dimensões espirituais. Sua grande lição é justamente aprender a lidar com essas dimensões espirituais e ser canal para os dons do Espírito, para que a abundância seja gerada sem distinção, sem dominação.
Capricórnio abre a possibilidade de um novo caminho, o caminho do iniciado, o caminho do mestre, o caminho crístico, um caminho de libertação. “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”, disse Jesus, como se pode ler no Evangelho de Marcos 8,34b. O que significa essa máxima? Capricórnio está associado ao caminho do Cristo encarnado, Jesus de Nazaré, aquele que veio como homem e caminhou entre os necessitados, ouvindo-os e atendendo as suas necessidades concretas e que foi além da civilização de sua época, trazendo a boa nova, um novo caminho para se trilhar, a promessa de um novo homem, de uma nova humanidade.
Qual, senão a dimensão da “integridade”, para ser a grande chave para o signo de Capricórnio?
Se você tem o Sol em Capricórnio, saiba que é no exercício da “integridade pessoal”, assim como nas pegadas do Mestre Jesus, que a sua Luz se alimenta e ilumina o mundo; é através da vivência dessa verdade, da experimentação do caminho crístico, que trilharemos para longe dos e em oposição aos impérios e às mazelas consequentes.
Mas o que é integridade? É aquilo que está inteiro ou o que se revela inato, intacto, não dividido. Do ponto de vista humano, a integridade revela o ser inteiro, como potência; o ser inato, em sua totalidade, o que não está dividido, nem separado. Destarte, ser íntegro é estar inteiro; e estar inteiro é não estar separado do Espírito. O estado de integridade favorece a integração de tudo o que está excluído; permite que nos liguemos uns aos outros com respeito, aceitação, perdão, companheirismo e amor.
Do mesmo modo que Cristo une o mundo divino ao mundo dos homens, reúne os irmãos, inclui os excluídos e marginalizados da sociedade, o jornada de Capricórnio é uma jornada pelos caminhos da integridade, ou seja, caminho de união: unir o que está dividido, ligar o que está separado, juntar o que está rompido, sanar o que está corrompido. Quando se está inteiro, não se busca nada que esteja perdido ou fora de si, apenas se é uma completude, nada se deseja para si, apenas se entrega ao espírito, se doa para a vida.
Mas… num mundo de Césares não há lugar para Cristos; há rupturas, perseguições, divisão, exclusão. Pode haver a palavra, mas a surdez impera e, por mais que o Espírito fale, nada se ouve. Dois mundos, duas realidades e um homem dividido, despedaçado pelas imposições de um sistema alimentado por ele mesmo e com o qual compactua. Urge abandonar tudo o que nos divide, o que nos separa, para daí construir as pontes que nos unirão em escuta, em diálogo, sem julgamentos e condenações, nos unir em compreensão como um novo inteiro, em um todo fraterno.
O que resta aos homens despedaçados a não ser juntar esses cacos, criar um mosaico que apresente um novo mundo, costurar a muitas mãos uma colcha de retalhos que reviva a boa nova para que se cumpra a promessa do Cristo Ressuscitado? Eis um nobre desafio. Eis a grandeza reservada para o(a) capricorniano(a) que despertar a sua consciência, integrar a sua sombra e encontrar a sua face luminosa, num ato de doação, de amor incondicional.
Nas palavras do povo, “quanto maior a altura, maior a queda”. Mas podemos dizer que trilhado o caminho com zelo e da integridade, maior pode ser a recompensa espiritual, ao mesmo tempo em que requer grande responsabilidade pessoal. A responsabilidade pessoal ocorre quando desapegamo-nos dos mecanismos sociais de poder e nos empoderamos como seres pessoalmente íntegros. Nenhuma instituição ou regramento ou governo pode instituir a paz ou a democracia ou qualquer solução verdadeira para os problemas humanos por si só. Somos co-criadores do mundo. E recusa a sermos escravos das instituições e dos modelos e das fórmulas, sejam quais forem, faz parte do estreito caminho iluminado do Cristo, do caminho da libertação do homem e de sua ascensão às dimensões espirituais. O décimo signo é o signo da libertação do mundo dos homens, o início da jornada espiritual do Zodíaco, seguido por Aquário e Peixes, que teremos oportunidade de estudar nos próximos meses.
Será por meio do autoconhecimento, da integridade pessoal e da responsabilidade social que os capricornianos, finalmente, encontrarão o equilíbrio em seus pesos e medidas materiais, integrando a si e aos seus irmãos de jornada numa grande família. Destarte, serão semeadores revolucionários da paz e do amor incondicional. É essa a estrada iluminada que fará do capricorniano(a) mais uma brilhante estrela na escuridão da noite, entre outras milhões que compõem, juntas, toda a grandeza e beleza em meio às adversidades.

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CAPRICÓRNIO E SEU PLANETA REGENTE: SATURNO
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Capricórnio é o Signo de Terra Cardinal, regido por Saturno. Saturno, para os romanos, e Khrónos, para os gregos, é o Deus do Tempo e de todas as colheitas. Saturno já foi conhecido como o “grande maléfico”, por estar associado com as adversidades da vida, com o fator devorador do tempo que traz as mazelas e a velhice. No entanto, na antiguidade, ele era considerado o grande “Deus da Era de Ouro”, pois, em tempos imemoriais, quando Saturno era o governante do mundo, junto com o deus Janus, o mundo era pacífico, justo e abundante para todos – daí sua face benevolente. O tempo é uma convenção social de referência temporal e ordena as atividades humanas: esse seria o caráter mundano de Saturno, o tempo instituído e cobrador; entretanto, o tempo, na perspectiva do Espírito, é uma interação de dimensões e ciclos infinitos, fator de crescimento, amadurecimento e transcendência.
Saturno pode indicar restrição, limitação, esforço, disciplina, sofrimento, frustração e fracasso. No entanto, representa, antes de tudo, um processo psíquico de assimilação das experiências da vida, que nos permite amadurecer ao longo dos anos. Saturno representa uma função psíquica que nos impulsiona para a totalidade, que cuida de integrar cada parte da nossa psique, gestando uma plenitude interna. Para alcançar essa plenitude é preciso aprender a lidar com a dimensão de Saturno nas nossas vidas, o que requer compreensão e autoconhecimento, contato com o mundo interior, com nossa obscuridade, com nossas limitações, com nossos medos mais profundos. É nessa lida com o mundo interior que assimilamos as nossas experiências e obtemos um conjunto de saberes que nos levam à superação de tudo o que nos restringe internamente.
Simbolicamente, Saturno pode ser tanto um pai autoritário ou castrador quanto um pai motivador e exemplar, um mestre. Isso vai depender de como integramos em nosso mundo psicológico a vivência que tivermos com a nossa figura paterna, dependendo, ainda, do quão conscientes estivermos da figura do pai em nossas vidas. Saturno também personifica o arquétipo do avô, do velho, paciente e sereno, do alto de sua sabedoria, caso a tenha desenvolvido.
Simbolicamente, Saturno é o planeta que nos coloca frente a frente com as nossas programações sociais, com os nossos condicionamentos e nos mostra que há um Eu-maior, para além das máscaras e dos papéis sociais; assim como há um Eu-interno, que nos chama e aguarda para revelar-se, para ser conhecido e integrado. Saturno é, portanto, o planeta da iniciação para o nosso verdadeiro ser, aquele que busca a plenitude. Para se alcançar essa plenitude, encontraremos várias etapas de desenvolvimento, como a aceitação, a preservação, o autoconhecimento, a compreensão da dor e dos processos da vida, a compreensão dos ciclos da vida, a busca da verdade etc.
O planeta Saturno é um dos planetas mais importantes, numa análise psicológica do Mapa Astrológico. Devido à sua complexidade e à sua importância, dedicaremos outros textos para tratar exclusivamente desse planeta. Caso queira aprofundar o significado do planeta Saturno, deixaremos o link dos textos já escritos sobre ele, no final deste artigo.
Encerramos essa aula de Capricórnio, enaltecendo sua grande beleza e importância para a renovação de nossas inter-relações sociais, para o desenvolvimento de uma consciência coletiva e para o surgimento de uma nova humanidade que interrompa a degeneração ambiental e valorize a diversidade da vida, favorecendo o florescimento de relações verdadeiramente fraternas.
Capricórnio, ao aprofundar a sua compreensão do mundo e se voluntariar a propósitos mais humanitários, acenderá a sua Luz interior, se fará verdadeiramente grande, iluminará a todos à sua volta, deixando o seu legado para as futuras gerações!
Notas:
(3) Do livro “A Oração de São Francisco”.
(4) Do Livro “Psicologia e Religião”.
(5) Menção à canção de Osvaldo Montenegro, gravada em 1980, “Quebra Cabeça Sem Luz”.
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Para ler do começo clique no link da primeira parte:
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