Por Cristal Ribeiro
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A CABRA-MONTESA
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Nada mais apropriado para Capricórnio do que uma cabra das montanhas: rústica, resistente, com seus chifres altivos que apontam o rumo e o cume. Capaz de percorrer grandes distâncias e de se alimentar apenas dos brotos das árvores, a fêmea dos caprinos é uma espécie fértil, esbelta, teimosa e simpática, que anda em rebanhos, escalando os lugares mais íngremes e agrestes. Símbolo de persistência e da determinação, é um animal notável e muito produtivo, fundamental para o sustento das famílias e comunidades agrestes.
Do mesmo modo, os nativos de Capricórnio podem ser muito competentes naquilo que escolhem fazer, pois têm sempre o objetivo de serem melhores e irem além das dificuldades e dos desafios iniciais; na verdade, são movidos pelos desafios, gostam de perseguir objetivos de longo prazo, destinos longínquos. Tudo isso os engrandece.
Muito ativos e produtivos, podem se encaixar muito bem em nossa sociedade moderna, pois possuem uma grande resistência e grande capacidade de auto-sacrifício de sua vida pessoal, em favor de seus objetivos ou dos objetivos de uma instituição, de um grupo particular, de um partido etc. Como Capricórnio faz par de oposição/complementaridade com o signo familiar de Câncer, normalmente é no ambiente familiar que Capricórnio acaba sendo mais ausente ou, ainda, nas relações afetivas ou até na autoafirmação de sua individualidade, pois, ainda que creia caminhar para atingir a seus próprios objetivos, está, na verdade, perseguindo os objetivos comuns a toda a sociedade, num esforço obsessivo, até, por encaixar-se na sociedade e ir além, por destacar-se no interior dela, reproduzindo o sistema que idolatra; ainda que perceba as contradições desse sistema, crê que, quando no topo, fará melhor que os demais, devido à sua pretensa eficiência.

Ao mesmo tempo em que esse signo é representado pela cabra, que representa a dimensão mais mundana e material desse signo, não podemos esquecer que esse signo pode ser representado, em sua dimensão mais simbólica e filosófica, pelo Bode Marinho.
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O BODE MARINHO
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O termo Capricórnio, do Latim, indica um caprino de chifres, ou seja, o macho da cabra, um bode. Na correta representação simbólica do signo, trata-se de um ser metade bode, metade cauda de peixe. Esse ser mitológico e fabuloso representa a dimensão mais profunda e reveladora desse complexo signo do Zodíaco.
Depois de galgar os mais altos degraus pedregosos, pelo esforço e com suor, chega ao topo de sua ambição. Uma vida inteira perseguindo o seu “lugar ao Sol”, assumindo compromissos, responsabilidades, para alcançar o máximo de seu desenvolvimento pessoal, para que a sua necessidade de estruturar a própria vida seja cumprida com êxito. Ocorre que, quando alcança o seu objetivo, costuma esbarrar em suas inquietações, com vazios interiores e com a solidão, muita solidão. Capricórnio costuma ser tão dedicado, tão devoto aos seus objetivos que pode negligenciar tudo aquilo que não se encaixe a eles ou que de imediato não valorize. Uma vida inteira dedicada à carreira ou ao sustento da família, ou a perseguir qualquer objetivo externo, pode nos afastar das outras dimensões da vida, como, por exemplo, a dimensão dos relacionamentos afetivos ou a dimensão da busca do conhecimento ou a busca da dimensão espiritual.
Mas, nessa longa estrada da vida², enquanto realiza a sua escalada, muitas crises pessoais surgem em seu caminho; ainda que vividas a sete chaves, devido ao seu caráter extremamente fechado, essas crises podem ir moldando o seu caráter ou alterando os seus belos sonhos de grandeza. Cada obstáculo o fortalece, mas também o enrijece; cada intempérie o estimula a continuar, mas atrasa-o pelo caminho, numa jornada épica que o leva por caminhos não planejados, ocupando o seu lugar na grande tragédia humana.
É justamente a dimensão inesperada da vida que molda a vida do capricorniano e a sua alma, como o escultor que molda a sua obra grandiosa. Aquele que se pensa ser um signo de “aprendizado da objetividade” é, na verdade, o signo que, chegando ao máximo da objetividade, da produtividade, da estruturação, ao topo da sociedade; tem como aprendizado a subjetividade da vida, abrindo uma nova fase de desenvolvimento humano, uma dimensão ética elevada, uma perspectiva ampla, uma consciência “crística”. Essa fase terá a sua continuidade com o signo de Aquário e o seu auge no signo de Peixes, quando se entregará definitivamente ao oceano cósmico do religar espiritual. Até lá, já na fase mais madura de sua vida, os nativos de Capricórnio vão fazendo a experimentação dessa mescla da materialidade com a espiritualidade, dessa integração das dimensões, da integração do mundo exterior com o interior, do mundano com o divino e assim por diante.
Capricórnio realiza, então, um salto mágico, quântico e mergulha nos oceanos mais profundos da vida, em sua dimensão interior-espiritual, renascendo para uma nova vida, menos egóica, mais coletiva, pela via da solidariedade, do serviço a uma ordem maior. Essa é a longa jornada que esse signo é convidado a experimentar, um desafio de uma existência inteira de trabalho interior e refinamento, correção, responsabilidades, aprofundamento, de entrega e de integridade. Quais serão os desafios do caminho?
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DA MONTANHA SE AVISTA O MAR
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O drama existencial de Capricórnio é aprender a alcançar a justa medida entre o individual e o coletivo, entre o mundo interior e mundo exterior; o peso certo entre o ofício e o sacro-ofício, entre maternidade e paternidade. Qual, se não o campo da existência, a dimensão do tempo, o terreno mais adequado para o exercício desse aprendizado?
É no mundo que se aprende que existem outros mundos além do nosso e é no signo de Aquário que haverá interação entre esses mundos. Capricórnio ainda está restrito ao seu próprio mundo, mas tem a oportunidade de ter conhecimento da diversidade e da grandeza da vida expressa no mundo. É nesse momento que somos convidados a responder a cada descoberta, a cada mundo que contatamos. Do alto da montanha podemos vislumbrar o mar e retomar o caminho de volta para o Oceano Cósmico que liga todos os seres como irmãos: essa é a jornada de Capricórnio a Peixes. Para seguir nessa jornada evolutiva é preciso, em algum momento, mergulhar dentro de si mesmo e se redescobrir como um ser fabuloso, um ser crístico, que sai de uma jornada solitária para uma jornada solidária; pois, tendo trilhados os lugares mais íngremes das alturas e os lugares mais profundos de si mesmo, terá a experiência e a maturidade para ajudar a seus irmãos na mesma jornada em que esteve mergulhado.
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A CRUZ DE CAPRICÓRNIO
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Capricórnio pertence à Cruz dos Signos Cardeais (Pontos Cardeais) e, como tal, quem tem o Sol neste signo precisa conscientizar-se da necessidade de desenvolver uma postura ativa diante dos acontecimentos, de tomada de iniciativa diante das circunstâncias e dos desafios da vida, deixar-se mover pelo impulso da vida, por seu pulsar. Tanto a sua salvação quanto a sua condenação passam pelo campo da ação ou da falta dela. Essa Cruz é o reino do surgimento do novo, território do pioneirismo, da automotivação; o reino do aqui e agora, onde o espírito gera a vida materialmente.
Em Capricórnio, o braço da Cruz está vinculado ao elemento Terra; assim, é a iniciativa para a materialização, o impulso do espírito em direção à manifestação, a automotivação para estruturar o mundo das formas, a entrega ao raciocínio prático e aos sentidos que norteiam a ação, a geração da abundância material. Esse é o aprendizado necessário na saga em busca da manifestação no mundo e do alcance da iluminação da consciência: voluntariar-se no mundo, doando-se o máximo possível e transformar-se, como consequência dessa ação voluntária. Se não há transformação é porque não se está, de fato, voluntariando-se em prol da espiritualização da matéria, apenas percorrendo um caminho de acumulação de poder. O poder em Capricórnio deve ser o Poder Doador, daquele que percorreu os caminhos para o alto e retorna para guiar os outros pelos caminhos que percorreu, o que traz a boa nova e mostra o bom caminho, sem interesses pessoais, apenas por compreender que é um doador, que é um facilitador de processos.
Em nossa sociedade vemos imperar as relações de poder, os interesses privados, os interesses comerciais e financeiros que movem o mundo. Muitos perseguem status, fama, altos cargos, posições de influência, pertencimento a uma classe ou a um grupo específico e assim por diante. Há muita busca nas coisas exteriores, mas as pessoas continuam vazias e solitárias; permanecem em suas fortalezas – sejam casebres, apartamentos de luxo ou mansões –, isoladas e com medo de perderem tudo o que conquistaram; seguem em suas fortalezas interiores, isoladas de um contato mais sensível e humano, sem contato com outros mundos e realidades, sem trocas significativas e transformadoras. As pessoas estão se tornando grandes profissionais, empreendedoras, donas do seu próprio negócio, pessoas realizadas e exemplares à primeira vista etc. Mas o que se passa por baixo dessa superfície terrestre?
Essa tem sido a herança que recebemos (de nossos pais e avós) na formação da sociedade industrial, capitalista, competitiva, e que se intensifica em nossa sociedade atual, guiada pelo neoliberalismo e pelo capitalismo financeiro. No geral, as relações formais, profissionais, acadêmicas, virtuais, superficiais andam “a todo vapor”, enquanto as relações pessoais, familiares, afetivas, cooperativas são desencorajadas pelo modo como o sistema social opera.
Se o elemento Terra da Cruz Cardeal é o braço que sustenta toda a nossa vida material e é responsável por nos dar sustento, alimento para o corpo e para o espírito, e nos impulsiona para a manifestação do nosso espírito na terra, gerando abundância; se assim é, o que está acontecendo para existir tanto isolamento e tanta miséria? Tanta afirmação de poder através da posse? Será que o lado sombrio do signo está mais forte do que sua face iluminada?
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Notas:
² Trecho da canção “Estrada da Vida”, composta por José Rico, gravada em 1977 pela dupla Milionário e José Rico. O trecho ilustra bem a ambição capricorniana. A canção completa fala do aprendizado de sermos o que somos e reflete bem o signo de nosso estudo, Capricórnio:
“Nesta longa estrada da vida
Vou correndo e não posso parar
Na esperança de ser campeão
Alcançando o primeiro lugar
Na esperança de ser campeão
Alcançando o primeiro lugar”
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Continue a ler a terceira parte em:
SOL NO SIGNO DE CAPRICÓRNIO – Aula 10 – da série “Sol nos Signos” – Parte 3
Para ler do começo clique no link da primeira parte:
SOL NO SIGNO DE CAPRICÓRNIO – Aula 10 – da série “Sol nos Signos” – Parte 1

